Terminou em impasse a assembléia dos ceramistas realizada na noite desta quarta-feira, 16, no sindicato da categoria. Os trabalhadores queriam obter informações acerca da situação do plano de recuperação extra-judicial da Cerâmica Chiarelli S/A. Contudo, as discussões resvalaram para a divergência total e nada ficou definido. Por causa disso, uma outra assembléia foi agendada para o próximo dia 18 de abril, também às 19h, no mesmo Sindicato dos Ceramistas.O impasse aconteceu porque não houve consenso a respeito da decisão sobre em pedir ou não a falência da tradicional cerâmica. Um grupo pressiona o sindicato a protocolar na Justiça o pedido de falência da empresa. Com isto, esperam dividir o espólio da tradicional cerâmica, que deve salários atrasados e direitos trabalhistas aos funcionários dispensados há três anos. O Sindicato, porém, é contra o pedido de falência.
Segundo o presidente da entidade sindical, Paulo de Tarso Ferreira, este é seria o pior caminho para os trabalhadores. “O processo todo de falência é longo. Demora mais de 5 anos. Só depois é que os trabalhadores vão receber alguma coisa. É preciso paciência agora para não colocar a carroça na frente dos bois”.
Paulo de Tarso explicou à reportagem do Correio do Povo que a Chiarelli S/A tem até o próximo mês de agosto para concluir o plano de recuperação judicial. Ele afirmou ainda que a direção da empresa tem demonstrado disposição de que pode retomar as atividades em 2011. Paulo se baseia na publicação dos balanços referentes aos anos de 2008 e 2009 na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
“Também conversamos com o administrador da recuperação judicial da empresa, na semana passada, em São Paulo, que confirmou que o Caio Albino de Souza [diretor da Chiarelli S/A] vai enviar para a CVM os balanços de 2010”. “Faltavam apenas alguns poucos detalhes. Mas o envio para a CVM vai acontecer. Ele nos garantiu”, argumentou.
Estas informações foram repassadas para os trabalhadores durante a assembléia. Eles esperam ansiosos por uma definição em torno dos seus direitos trabalhistas. A mesma ansiedade acontece com os acionistas, que não podem negociar a ações da Chiarelli S/A por causa do imbróglio judicial.
Os acionistas ficaram animados ainda mais porque no último dia 14, pois a empresa deu entrada na CVM com o pedido de reversão de suspensão de registro. Coincidentemente, o pedido aconteceu após a entrega dos balanços de 2008 e 2009, sendo a solicitação um requerimento necessário para que as ações voltem a ser negociadas na bolsa de valores.
“De qualquer forma, reforça a disposição do Caio de ver as ações novamente no pregão. Estamos ansiosos por este momento, já que não podermos negociá-las há cerca de 10 meses”, afirmou um acionista da Chiarelli, que representa pequenos investidores que congregam uma carteira de mais 5% das ações.
TRADEINVEST
Também neste dia 17, vence o prazo dado a Luiz Roberto Pessoa, diretor da TradeInvest, incorporadora do Figueira Plaza Shopping, para pagar a primeira parcela referente à compra da unidade 1 da cerâmica Chiarelli, de acordo com a interpelação extra-judicial . A unidade foi avaliada em R$ 16 milhões.
Conforme foi informado na assembléia dos ceramistas, potenciais “investidores” da Capital teriam gostado do projeto do shopping e se interessaram em investir no empreendimento. No entanto, eles condicionaram os investimentos à aquisição majoritária das cotas do Figueira Plaza. Atualmente, a Trade seria dona de cerca de 70% destas cotas.
Fonte/Bira MAriano - www.jornalistico.com.br






